Resistência no futebol: Copa Gay dará lugar a Liga Nacional; Salvador pode ser sede

Imagem: Bahia Noticias

Uma bandeira LGBTQIA+ levantada para o céu. A imagem do atacante argentino Germán Cano, do Vasco, ao comemorar um gol que marcou diante do Brusque, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, sensibilizou o mundo do futebol. Para uns, ato de resistência em um ambiente que, até hoje, exclui esses grupos. Para outros, “mimimi”, “lacração” ou qualquer outra expressão depreciativa utilizada com frequência por aqueles que se incomodam com esse tipo de gesto. De toda forma, a atitude, tomada na véspera do Dia do Orgulho LGBTQIA+, mais conhecido como 28 de junho, mexeu com um assunto que já foi, e ainda é, tabu no esporte.

 

“São coisas que não deveriam ser necessárias. O ideal é que não fosse necessário. É algo tão natural, tão normal, que pra gente é muito doido ver que ainda existe a necessidade disso. Mas não tem como dizer que não existe. Cada atitude como essa faz toda a diferença, porque a gente traz o assunto, sobretudo, porque são pessoas que representam, que influenciam. É de extrema importância. Mostra que a comunidade está aí, existe, está lutando, e que somos todos iguais”, diz Elivelton Brandão, jogador de futebol amador, gay, e organizador da finada Copa Gay Nordeste.

 

Finada porque a Ligay, campeonato nacional amador de futebol masculino, entrou em contato com os clubes da região para a realização de um novo certame. Quando a imunização contra a Covid-19 proporcionar aos cidadãos a possibilidade de uma “vida normal” no Brasil, a Ligay do Nordeste fará sua estreia. O torneio dará aos campeões a chance de disputar a Ligay Nacional. E tudo indica que a sede será Salvador. “Cada time que está dentro dessa organização pode candidatar a sua cidade como sede. Mas, no Nordeste, parece que só nós estamos”, conta Elivelton.

 

Desde sempre apaixonado pelo esporte, o jogador amador viu nessas organizações a oportunidade de praticá-lo também como um ato de resistência. “O futebol tem uma mágica que faz a maioria das pessoas se identificar mais. Não sei se é porque eu sou brasileiro ou se é com todo o resto do mundo. Mas é onde o preconceito sempre teve uma força um pouco maior por conta do machismo, da homofobia, sempre foi um pouco triste. Quando você se depara com problemas, você só tem uma opção: fazer algo para resolver esse problema. A habilidade de jogo, jogar bem, é indiferente de tudo isso”, afirma.

 

A demonstração de que o preconceito está longe de abandonar o esporte é vista quase diariamente. Ainda neste mês de junho, no dia 7, após perder uma aposta, o cantor sertanejo Zé Neto, palmeirense, vestiu uma camisa do São Paulo, time que historicamente sofre com essa discriminação, e começou a fazer trejeitos afeminados (veja aqui). “Coloquei essa camisa e já estou me sentindo bem. Nossa, estou super tranquilo. Está vindo um ventinho gelado, não está?”, disse, enquanto pulava e virava as mãos, durante uma live. Ele se desculpou ainda durante a transmissão.

 

Em maio, o advogado do Sport, Flávio Koury, fez ataques homofóbicos ao ex-participante do Big Brother Brasil Gil do Vigor, torcedor da equipe pernambucana (relembre aqui). Nas palavras do conselheiro, a dança que o economista fez em uma visita à Ilha do Retiro, estádio que abriga os jogos do clube, era uma “depravação” e que apenas a “veadagem” iria comprar a camisa do Leão. Em resposta, o Sport fez camisas estampadas com os nomes dos jogadores do time seguidos da alcunha “Do Vigor”, para prestar homenagem ao ex-BBB.

 

Outro caso marcante no futebol é o do atleta Richarlyson, que teve passagem pelo Vitória entre 2014 e 2015. Mesmo sendo hétero, o fato de ele não seguir uma masculinidade padrão imposta pelo ambiente em que estava passou a ser alvo de chacota. Sempre colocavam em dúvida a sexualidade dele de forma pejorativa. “Eu percebo que, com o passar do tempo, as coisas têm melhorado. Porém, ao mesmo tempo, ainda dói muito algumas coisas que a gente vê. Em relação a todos os tipos de preconceito. As diferenças chamam muito a atenção e essas coisas fazem pensar: ‘quando que acaba isso?'”, lamenta Elivelton.

 

Na Europa, a UEFA, entidade que comanda o futebol por lá, impediu a seleção alemã de iluminar o estádio Allianz, em Munique, com as cores da bandeira LGBTQIA+ por considerar que aquele era um “ato político” (saiba mais aqui). A Alemanha jogaria, pela terceira rodada da fase de grupos da Eurocopa, contra a Hungria, país governado pela extrema-direita e que tem representantes que já deram diversas declarações discriminatórias contra esses grupos.

Informações : Bahia Noticias.

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